Quando não damos conta: a falta como convite ao reencontro
Quando não damos conta, o mundo parece grande demais, os compromissos muitos, e a gente… pequena. Tem semanas que o corpo não acompanha o desejo, ou que o desejo simplesmente falha, escapa, se esconde entre os compromissos da agenda. E então vem a pergunta: “por que eu não dou conta?” Quando não damos conta, nasce o desejo. Faltar, não dar conta, não conseguir, tudo isso também faz parte de ser gente. E às vezes, justamente o que não conseguimos alcançar é o que mais nos movimenta. A falta, por mais incômoda que pareça, é o que nos empurra pra frente. É nela que nasce o desejo. É nela que a criação se faz possível. “A ausência é para o amor o que o vento é para o fogo: apaga o pequeno, inflama o grande.” (Provérbio Francês – popularmente atribuído a Freud) E talvez isso sirva não só pro amor, mas pra tudo aquilo que importa, e nos move de verdade. Nos tempos de hoje, onde tudo precisa funcionar o tempo inteiro: pessoas, máquinas, sentimentos. Lembrar que podemos falhar é um respiro. Não como desculpa, mas como reencontro.Com nossos limites. Com nossas pausas. Com o espaço interno onde também moram as perguntas. Não dar conta o tempo todo não é um erro. Às vezes, é só um jeito mais honesto de continuar. Ou talvez, um convite sutil da vida: “vai mais devagar, tem algo aí pra você escutar.”

